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Ji-Paraná(RO), 13/04/2021 - 13:38
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ARTIGO
A gente não faz amigos, reconhece-os

Data da notícia: 2021-02-04 12:52:23
Foto: JAIRO.jpg
Por Jairo Ardull

A melhor frase para definir minha amizade com meu editor João Nunes Freire nos jornais A Palavra e Correio Popular é a do poeta Vinícius de Moraes que diz que “A gente não faz amigos, reconhece-os”. Foi assim naquele ano de 1990 quando fui apresentado a ele para integrar uma equipe de iniciantes que tentava reviver o A Palavra, um projeto dos anos de 1970 da antiga Vila de Rondônia.

Embora a tentativa que ressurgia nos anos 90 não tenha dado o resultado esperado, foi dela que nasceram os jornais Folha de Rondônia e Diário do Povo, que tinham à frente o empresário Pedro André de Souza, também idealizador do A Palavra. Infelizmente, hoje tudo isso são fatos da comunicação rondoniense, mas é a partir deles que posso contar minha história de consciência profissional e uma grande amizade.

No nosso primeiro contato, foi a facilidade de se expressar sobre os mais diferentes temas que mais me chamou a atenção em João Nunes. Vi naquele extrovertido baiano de Salvador um exemplo que se contrapunha à minha timidez mineira e uma referência no meu aprendizado profissional. Logo na minha primeira reportagem, recebi uma orientação que me valeu para o resto da vida.

“Vá e tente ver alguma coisa além dos fatos”. Naquele momento, não entendi bem a observação, e nem poderia, tamanha era a vontade de sair em campo, e confesso que ainda demorei certo tempo para assimilar esta preciosa recomendação jornalística. Hoje sei que era para ver além da notícia, acompanhar seus desdobramentos e ser ético na divulgação dos acontecimentos. Nestes trinta anos, foram várias muitas as vezes em que pude dizer a ele da importância de seus ensinamentos na minha carreira.

Conto às dezenas as frases do João Nunes, “pérolas” sempre ditas no calor das discussões de iniciação jornalística ao lado de outro grande amigo e “foca” da época, hoje advogado e procurador do município, Silas Queiroz. Sem dúvida de errar, posso afirmar que nestes encontros foi forjado, em nós, bem mais que uma consciência profissional, mas valores morais e éticos, que embora possa demonstrar certo antagonismo, naquele momento aquela era a nossa verdade.

Ainda nos tempos do A Palavra, revelei ao João Nunes que era chamado de Jairo Ardul, sem o segundo “l” no ensino médio, por um dia ter pronunciado mal o adjetivo “árduo”. Em certa edição do jornal, ele creditou o pseudônimo e assim tem sido por essas três décadas. Em 2004, quando recebi o primeiro (Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Rondônia) dos meus dois prêmios jornalísticos, ele disse que passaria um ano, sempre que nos encontrássemos, me parabenizando pela conquista. E assim o fez. Espero continuar fazendo jus ao seu reconhecimento, mesmo que você não esteja mais aqui para ver.


Fonte: Jairo Ardull


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