Jornal Correio Popular


ÁGUA DOCE
Reserva em Rondônia é refúgio de espécies raras

Data da notícia: 2022-09-16 18:59:52
Foto: Assessoria/Divulgação
Área preservada é considerada oásis numa das regiões mais desmatadas da Amazônia

Existe uma região no Norte do Brasil em que a Amazônia é um mosaico de pequenas florestas rodeadas pela pastagem. O chamado “Arco do Desmatamento” vai do Leste do Pará até o Acre, passando por Mato Grosso e Rondônia. São os 500 mil km2 com o maior índice de desmatamento do bioma e onde a natureza resiste em pequenos oásis. A Reserva Água Doce é uma dessas exceções.

A antiga fazenda de gado com mais de mil hectares foi comprada no final dos anos 80 pelo empresário Jorge Antônio Cavallet. Ele migrou do sul do Brasil para Rondônia atraído pela ideia de uma Amazônia rica e inesgotável, mas tomou um choque de realidade. “Eu achava que aqui ia ter mato para sempre, mas quando vi a situação do desmatamento foi um desespero. Não nego um sentimento de culpa por ser filho de madeireiros e assumi o propósito de preservar”, conta.

Entre as águias florestais que habitam a reserva estão o raríssimo uiraçu (Morphnus guianensis), a harpia ou gavião-real (Harpia harpyja), o gavião-pato (Spizaetus melanoleucus) e o gavião-de-penacho (Spizaetus ornatus) que se reproduziu no interior da floresta. O fotógrafo Carlos Tuyama acompanhou toda rotina do ninho, no alto de um angelim à mais de vinte metros de altura.

As primeiras gravações foram antes do filhote nascer. A fêmea chocou um único ovo colocado sobre um emaranhado de galhos coberto de folhas verdes, para espantar os parasitas. O filhote nasceu 50 dias depois da postura. Nos primeiros dias era uma bolinha de penas brancas muito esfomeada. Os pais destrincham a carne da caça para alimentar o recém-nascido. O cardápio é variado, desde pequenas aves até mamíferos e répteis. O gavião que pesa mais de um quilo e mede 60 centímetros se mostrou delicado e atento.

As imagens revelam que com 20 dias de vida o filhote fica sozinho no ninho enquanto os pais buscam comida. Mas ele também gosta de curtir a sombra da mãe nos dias de sol quente. Com 45 dias já mostra as primeiras penas escuras.

No inverno o angelim perde as folhas. O ninho já é mais tão aconchegante e o jovem gavião-de-penacho arrisca um passeio pelos galhos. Com três meses ele já faz voos curtos para árvores próximas, mas ainda depende dos pais para se alimentar.

Ao longo de todo primeiro ano de vida o filhote vai viver ao redor do ninho para então tornar-se adulto e buscar uma nova área para viver. E é nessa fase que a espécie enfrenta seus maiores desafios. “Ele precisa atravessar uma grande área aberta para conseguir chegar à algum lugar e a gente tá tendo problema com eletrocussão. Ele voa, voa e não consegue achar uma floresta ideal, então pousa na fiação elétrica e morre”, lamenta o biólogo Odair Diogo.

Ao percorrer a as trilhas da reserva o visitante ainda pode ter uma grande (e assustadora) surpresa. A área é morada de surucucus-pico-de-jaca (Lachesis muta), a maior serpente peçonhenta das Américas. A espécie é tem fossetas loreais entre o olho e a narina. São orifícios sensíveis a pequenas variações de temperatura. Com isso a pico-de-jaca consegue identificar suas presas apenas pelo calor.

Fonte: Terra da Gente

Notícia vista 1709 vezes


Compartilhe com seus amigos:
 




www.correiopopular.com.br
é uma publicação pertencente à EMPRESA JORNALÍSTICA CP DE RONDÔNIA LTDA
2016 - Todos os direitos reservados
Contatos: redacao@correiopopular.net - comercial@correiopopular.com.br - cpredacao@uol.com.br
Telefone: 69-3421-6853.